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Notícias

17 de março de 2014
Após 25 anos, vacina contra HIV permanece inalcançável

Indomável é o melhor adjetivo para qualificar o vírus HIV. Após 25 anos da publicação, na revista “Science”, do primeiro isolamento desse parasita, a comunidade científica só acumula frustrações. Nenhuma barreira bioquímica desenvolvida até agora conseguiu conter a infecção. O desenvolvimento da tão almejada vacina ainda é apenas um sonho distante.

 

Dennis Burton, do Instituto de Pesquisa Scripps, na Califórnia (EUA), assina um dos artigos do especial de 25 anos da descoberta do HIV, publicado na última sexta-feira (9) pela mesma “Science”.

 

O retrocesso científico do fim do ano passado é exemplar. O teste mais avançado de uma vacina contra a Aids, criada pela farmacêutica Merck, foi suspenso após 82 voluntários (49 vacinados e 33 do grupo de controle) terem sido contaminados pelo vírus.

 

“O número foi pequeno e não foi a vacina que causou a contaminação, o que seria inaceitável”, diz Esper Kallás, infectologista, professor da Unifesp e coordenador dos testes com a vacina no Brasil. No mundo, 3.000 pessoas receberam doses do medicamento.

 

“A defesa imunológica que a vacina conferiu aos participantes não foi suficiente. O vírus continuou passando [pelas defesas do corpo]”, afirma.

 

Apesar de desde o começo das pesquisas, há 25 anos, o HIV ser qualificado como versátil, o desafio a cada novo estudo é maior. O vírus não pára de surpreender por causa da sua alta velocidade em desenvolver novas formas genéticas.

 

Toda a comunidade científica concorda com a volta para a bancada. E, mesmo depois dos últimos insucessos, em continuar na busca pela vacina. A urgência é grande. Números da OMS (Organização Mundial de Saúde) mostram que a cada dia mais de 6.800 pessoas são contaminadas. E 5.750 morrem.

 

O fracasso de uma vacina não é o fim do mundo, segundo os cientistas ouvidos pela Folha. Pelo menos há uma base de onde é possível continuar.

 

“Não podemos abandonar a vacina. Ela tem de continuar a ser um sonho”, afirma Kallás. “Não podemos dar uma declaração de derrota e voltar as costas para aquilo que pode ser a maior esperança para combater a epidemia. Hoje são 33 milhões de pessoas contaminadas. Daqui a 20 anos, talvez sejam 150 milhões.”

 

Fonte: Folha Online.

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