MG:(31) 3352-7000 / RJ:(21) 3629-3003

Dr. Zé Geraldo

5 de março de 2020
Conheça mais sobre o Coronavírus

Os coronavírus (CoV) são uma família de vírus já conhecida pela comunidade científica desde a década de 1960. São dos principais responsáveis pelos resfriados comuns. Nas últimas duas décadas, emergiram dois coronavírus diferentes, com capacidade de provocar doenças graves em humanos: a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV) em 2002, e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) em 2012. Ao final de 2019, casos de infecção respiratória grave surgiram na megalópole chinesa Wuhan, sem etiologia conhecida num primeiro momento, pois os testes diagnósticos para vírus e microrganismos conhecidos tiveram resultados negativos. Eis que fora diagnosticado um novo coronavírus, agora nomeado como SARS-CoV-2, uma nova cepa desta família de vírus. A doença provocada pelo SARS-CoV-2 foi nomeada como COVID-19.

Assim como os vírus influenza, os coronavírus possuem a capacidade de infectar não apenas os seres humanos, mas também diversas outras espécies animais. Esta característica tem implicações muito relevantes, quais sejam:

  1. Mesmo que ocorra o devido controle de epidemias em humanos, dificilmente esses vírus seriam erradicados, pois outras espécies animais serviriam como hospedeiros e reservatórios naturais dos mesmos. Os principais reservatórios dos vírus influenza são as aves aquáticas, e estes também infectam morcegos, canídeos, equídeos, suínos, dentre outros. Já acredita-se que sejam os morcegos os mantenedores preponderantes dos coronavírus na natureza. Postula-se que uma espécie de mamífero chamada civeta tenha sido o hospedeiro inicial do SARS-CoV em 2002 na China. Desde 2012 no Oriente Médio, os dromedários têm sido relacionados ao MERS-CoV. Existem investigações diversas cujo intuito é descobrir possíveis animais que serviriam de reservatório para o SARS-CoV-2.

 

  1. A constante e randômica capacidade de infectar diferentes espécies de animais, é fator que aumenta chances de rearranjos genéticos e/ou mutações no genoma viral. Este fenômeno pode levar ao surgimento de novas cepas virais, para as quais toda a população, ou grande parte dela, não possui imunidade. Foi assim em 2009 com a cepa pandêmica de influenza A H1N1, e tem sido assim desde o fim de 2019 com o SARS-CoV-2.

 

Sinais e sintomas de infecção por vírus influenza ou coronavírus são indistinguíveis: febre, tosse, dor de garganta, dores pelo corpo e em casos graves, falta de ar e dificuldade respiratória, caracterizadas principalmente por pneumonia. Para se configurar suspeita de infecção por coronavírus, neste momento ainda é necessário haver vínculo epidemiológico, pois não há transmissão local no Brasil: o paciente suspeito deve apresentar história de nos últimos 14 dias ter havido contato com outro caso suspeito ou confirmado de COVID-19, ou ter retornado de um dos países onde já exista transmissão local do SARS-CoV-2 (lista disponibilizada e atualizada pelo Ministério da Saúde). O diagnóstico depende de exame específico, realizado através de coleta de amostras respiratórias por swab combinado de naso e orofaringe. A metodologia para processamento destas amostras é o PCR em tempo real, tanto para influenza quanto para coronavírus.

 

Ainda não existem drogas formalmente autorizadas para tratamento de indivíduos infectados por quaisquer dos coronavírus descritos. Há sim estudos em andamento, que tentam avaliar a eficácia de algumas drogas com ação antiviral para o SARS-CoV-2. Para os vírus influenza, em nosso país, há somente dois medicamentos licenciados para tratamento de pessoas doentes: em larga escala é utilizado o oseltamivir, comercialmente conhecido como Tamiflu®, e em menor escala o zanamivir, ambos antivirais da classe de inibidores da neuraminidase.

Como forma de prevenção são descritas as medidas de etiqueta respiratória, como lavagem frequente das mãos; evitar tocar os olhos, nariz ou boca (mucosas em geral); ao tossir ou espirrar, cobrir com a parte interna do braço ou cotovelo, nunca com as mãos. Estas são medidas com alguma relevância individual, mas sob o olhar da saúde coletiva, talvez representem impacto muito pequeno. Vacinas são a principal forma de prevenção, pensando tanto no indivíduo quanto no coletivo. Ainda não existem vacinas disponíveis para os coronavírus e infelizmente as projeções para a produção de uma vacina contra o SARS-CoV-2 são de alguns anos, como seria para a produção e introdução de qualquer nova vacina na rotina de nós profissionais de saúde. Já para os vírus influenza dispomos de vacinas eficazes, tendo como principal objetivo a redução das graves manifestações e óbitos que todos os anos somos obrigados a testemunhar.

Dr. Argus Leão Araújo
Médico Infectologista – CRM/MG46.394
Diretor Científico Imunológica Vacinas Humanas

#coronavírus #influenza

Open chat
1
Olá, como podemos te ajudar? 🙂
(Atendimento BH e região)